A geração de empregos formais na Zona da Mata de Pernambuco registrou um saldo altamente positivo no primeiro semestre de 2026, sendo puxada pelas micro e pequenas empresas (MPEs).

Entre janeiro e junho, os negócios de menor porte criaram 2,7 mil novos postos de trabalho formais na região.

Em contrapartida, as médias e grandes empresas enfrentaram um recuo acentuado, eliminando cerca de 9,6 mil vagas no mesmo período.

Os números do levantamento foram elaborados pelo Sebrae com base em dados oficiais do Caged.

Setores que mais contrataram no período

O segmento da Construção Civil liderou as contratações entre as pequenas empresas da região.

O destaque ficou para a atividade de construção de edifícios, com 887 carteiras assinadas, e outras obras de engenharia civil, com 717 vagas.

O setor de Serviços também apresentou desempenho relevante na geração de oportunidades.

As subclasses de condomínios prediais e as atividades de operador portuário somaram, respectivamente, 226 e 183 novos postos de trabalho.

Fatores que impulsionaram o crescimento

A expansão imobiliária e o turismo explicam a movimentação aquecida do mercado de trabalho local.

O aumento na construção de apartamentos, flats e empreendimentos hoteleiros impulsionou diretamente a cadeia produtiva regional.

Projetos ligados ao artesanato, itens de decoração e peças cerâmicas também cresceram lado a lado com a construção civil.

Além disso, a movimentação de mercadorias via transporte marítimo fortaleceu a busca por operadores no setor portuário.

Sylvia Siqueira, líder de Inteligência de Mercado do Sebrae/PE, detalha os motivos desse avanço estrutural no estado:

“Esse cenário de ampliação das compras de apartamentos e flats vinculados à atividade artística da Zona da Mata fez isso acontecer também. Além disso, a fabricação de artefatos de cerâmica e de barro também teve expansão significativa nos negócios voltados para artesanato e itens de decoração, que está vinculada ao crescimento da construção civil”, aponta. Ainda segundo ela, a geração de vagas em atividades de operador portuário é reflexo do crescimento do setor na região e da circulação de mercadorias via marítima.

Impacto direto na cadeia dos pequenos negócios

O fortalecimento da construção civil gera um efeito multiplicador que beneficia diversos prestadores de serviços autônomos e pequenas empresas.

Áreas como marcenaria, instalações elétricas e manutenção de ar-condicionado ganharam espaço no mercado.

Alexandre Alves, gerente da Unidade Regional do Sebrae na Zona da Mata, destaca a importância dessa integração produtiva:

“A repercussão para os pequenos negócios se dá à medida que muito dessas atividades da própria construção tem muitos serviços que os pequenos negócios se encaixam como marcenaria, serviço de instalações elétricas e instalações de ar-condicionado. Essa dinâmica de atividades como as que estão relacionadas acabam trazendo um efeito positivo para o ambiente dos pequenos negócios, que integram essa cadeia produtiva como um todo”.

Comparativo estadual e desafios das grandes empresas

O comportamento da economia na Zona da Mata acompanha a tendência observada em todo o estado de Pernambuco.

No âmbito estadual, as MPEs acumularam um saldo positivo de 21.790 vagas, com destaque para os setores de serviços e construção.

Enquanto os pequenos negócios avançam, as médias e grandes corporações fecharam 9.620 postos formais de trabalho no semestre.

Essa queda foi concentrada na cadeia sucroenergética, afetando a produção de açúcar em bruto, fabricação de álcool e o cultivo de cana-de-açúcar.

O setor enfrenta impactos decorrentes de safras menores, redução nos preços da matéria-prima e oscilações do mercado internacional.

Perspectivas para os próximos meses

As projeções indicam manutenção no ritmo de contratações das pequenas empresas para a segunda metade do ano.

Entretanto, fatores climáticos como o fenômeno El Niño exigem atenção do mercado.

A oscilação no tempo pode afetar tanto o fluxo turístico quanto a colheita da cana-de-açúcar na região.

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