
A exposição “Vik Muniz – A olho nu”, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB Rio), apresentou um panorama abrangente da trajetória de um dos artistas brasileiros mais reconhecidos internacionalmente. A mostra ficou em cartaz de 20 de maio a 7 de setembro de 2026, com entrada gratuita, e reuniu trabalhos de diferentes fases da carreira do artista.
A Exposição Vik Muniz CCBB Rio destacou a diversidade de técnicas, materiais e linguagens que caracterizam a produção do artista. Ao longo de mais de três décadas, Vik Muniz desenvolveu obras que exploram a relação entre imagem, matéria e percepção, transformando elementos cotidianos em composições que dialogam com a história da arte, a cultura popular e questões sociais.
Exposição apresentou diferentes fases da carreira de Vik Muniz
Considerada a maior retrospectiva já realizada sobre a obra do artista, “A olho nu” reuniu trabalhos tridimensionais do início de sua trajetória, séries fotográficas emblemáticas e produções mais recentes. A curadoria foi assinada por Daniel Rangel, responsável por organizar um percurso que evidenciou as transformações da pesquisa artística de Muniz.
A proposta permitiu compreender como o artista constrói imagens a partir de processos que vão além da pintura e da fotografia convencionais. Em suas criações, materiais aparentemente simples ganham novos significados e passam a integrar composições que desafiam a maneira como o público interpreta aquilo que vê.
Segundo informações divulgadas pelo CCBB Rio e pela Agência Brasil em maio de 2026, a exposição ficou aberta de quarta-feira a segunda-feira, das 9h às 20h, com fechamento às terças-feiras. O acesso gratuito ampliou as possibilidades de contato do público com a arte contemporânea.
Materiais inusitados são marca registrada do artista
Um dos aspectos mais conhecidos da obra de Vik Muniz é a utilização de materiais pouco convencionais para recriar imagens reconhecíveis. Açúcar, chocolate, brinquedos, recortes de revistas, pigmentos e resíduos estão entre os elementos empregados em diferentes séries.
O processo criativo costuma envolver a montagem de uma imagem com esses materiais, seguida do registro fotográfico da composição. Dessa maneira, a fotografia assume um papel central na obra final, preservando uma construção que pode ter sido feita com elementos frágeis, temporários ou difíceis de reunir em uma superfície tradicional.
Essa combinação entre técnicas provoca uma reflexão sobre o próprio conceito de imagem. O observador reconhece uma figura, mas também percebe os objetos que a formam, criando uma experiência que envolve tanto a identificação visual quanto a descoberta dos detalhes.
Açúcar e chocolate transformam imagens conhecidas
Na série “Sugar Children”, desenvolvida na década de 1990, Muniz utilizou açúcar para construir imagens relacionadas a crianças de famílias trabalhadoras da indústria açucareira na ilha caribenha de St. Kitts. O material escolhido estabelece uma conexão entre a aparência das obras e o contexto social retratado.
Em outros trabalhos, o artista recorreu ao chocolate e à pasta de amendoim para recriar imagens conhecidas da história da arte. Essas experiências mostram como materiais associados à alimentação podem assumir funções inesperadas quando empregados na construção de uma composição artística.
O resultado combina familiaridade e surpresa. Em vez de apresentar uma imagem por meio de técnicas tradicionais, Muniz convida o público a observar como ela pode ser reconstruída a partir de elementos que normalmente não seriam associados à produção artística.
“Lixo extraordinário” aproximou arte e questões sociais
Entre os projetos mais conhecidos de Vik Muniz está “Pictures of Garbage”, desenvolvido a partir de 2007 com a participação de catadores de materiais recicláveis que trabalhavam no aterro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Nesse projeto, o artista utilizou materiais descartados para compor imagens de grandes dimensões inspiradas em retratos e referências da história da arte. As fotografias resultantes colocaram em evidência não apenas a transformação estética dos resíduos, mas também as pessoas que trabalhavam diariamente com esses materiais.
A experiência deu origem ao documentário “Lixo extraordinário” (2010), dirigido por Lucy Walker, com participação de João Jardim e Karen Harley. O filme acompanhou o desenvolvimento do projeto e apresentou ao público os encontros entre o artista e os trabalhadores envolvidos na criação das obras.
A produção recebeu reconhecimento internacional e foi indicada ao Oscar de 2011 na categoria de melhor documentário. O trabalho ampliou o debate sobre reciclagem, desigualdade social, dignidade do trabalho e os diferentes valores atribuídos aos materiais descartados.
A série também evidencia uma característica importante da produção de Muniz: a capacidade de utilizar recursos visuais para abordar assuntos que ultrapassam os limites dos museus e das galerias. Nesse caso, a arte funciona como ponto de partida para discutir problemas sociais e ambientais.
Reconhecimento internacional consolidou a trajetória de Vik Muniz
Nascido em São Paulo, em 1961, Vik Muniz construiu uma carreira marcada pela experimentação e pela circulação internacional de suas obras. Seu trabalho já foi apresentado em instituições como o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), além de integrar exposições e coleções de importantes espaços dedicados à arte contemporânea.
O reconhecimento está relacionado à originalidade de sua pesquisa visual, que aproxima fotografia, desenho, escultura e colagem. Ao utilizar materiais inesperados, o artista questiona a ideia de que uma imagem precisa ser produzida por um único método ou permanecer vinculada à matéria que a originou.
A retrospectiva no CCBB Rio reuniu diferentes momentos dessa trajetória, oferecendo uma visão mais ampla das mudanças e das continuidades presentes em sua produção. A diversidade de trabalhos também mostrou como o artista mantém o interesse pela percepção visual, pela memória e pelas relações entre imagens e realidade.
Giro 0800 e a divulgação da programação cultural do Rio
A realização de exposições como “Vik Muniz – A olho nu” também faz parte do cenário cultural que movimenta o Rio de Janeiro e amplia as oportunidades de acesso à arte. Nesse contexto, o Giro 0800 atua na divulgação de eventos gratuitos e de atrações culturais, reunindo informações sobre exposições, shows, cinema, teatro, festas, música, feiras e outras atividades disponíveis na cidade.
A proposta do portal é centralizar informações que normalmente estão distribuídas entre diferentes organizadores, espaços culturais e canais de divulgação. Com isso, contribui para dar visibilidade à programação carioca e facilitar a circulação de informações sobre iniciativas que oferecem opções de lazer sem cobrança de ingresso.
A exposição de Vik Muniz exemplifica a importância desse tipo de divulgação para a vida cultural urbana. Com entrada gratuita e localização no Centro do Rio, a mostra integrou a programação de uma instituição que recebe visitantes interessados em artes visuais, história, educação e atividades culturais.
Exposição deixou um legado de acesso à arte contemporânea
O encerramento da mostra em 7 de setembro de 2026 marcou o fim de uma temporada dedicada a apresentar ao público diferentes etapas da produção de Vik Muniz. Embora a exposição já não esteja em cartaz, sua proposta permanece relevante para compreender a diversidade da arte contemporânea brasileira e a projeção internacional alcançada por seus artistas.
Ao reunir trabalhos produzidos ao longo de mais de três décadas, “A olho nu” evidenciou como materiais cotidianos podem se transformar em recursos para investigações artísticas complexas. Também reforçou a capacidade da arte de aproximar experimentação estética, memória, cultura e reflexão social.
A retrospectiva no CCBB Rio integrou, assim, a programação cultural de 2026 como uma oportunidade de conhecer diferentes aspectos da obra de um artista cuja trajetória continua associada à inovação técnica e à investigação dos limites entre o que se vê e a maneira como uma imagem é construída.